TRABALHOS APROVADOS

** Os trabalhos serão apresentados em formato de comunicação oral, unicamente. Projetor estará disponível para apresentação.

RESUMOS EXPANDIDOS (somente dos trabalhos aprovados para apresentação)

O envio dos resumos expandidos dos trabalhos aprovados deverá ocorrer até 05 de maio de 2019, os quais serão disponibilizados no site do VIII Seminário.

Os textos deverão ser encaminhados para: masabereseinterlocucoes@gmail.com , com as seguintes especificações e conteúdos:

i. Formato word, letra 12, espaço simples:

i. Título do trabalho;

ii. Nome, filiação (explicitando se pesquisador, pós-graduando, graduando, docente ou outra função), e-mail e agência de fomento (em caso de financiamento);

iii. Máximo até 2000 palavras, considerando:

- Introdução

- Discussão teórica/ empírica

- Tabelas/ gráficos/ ilustrações

- Conclusões

A bibliografia não está computada no limite de palavras.

EMENTAS DAS MESAS


MESA 1 - O MEIO AMBIENTE E O ESPAÇO URBANO

Pensar a relação, os dilemas e os enfrentamentos entre meio ambiente e espaço urbano consistem em remeter ao processo histórico de interação do homem com os elementos naturais (aqueles que independem da vida ou da produção humana) que, em suas relações políticas, econômicas e sociais deram sentido à elaboração de "ambientes construídos" (Harvey, 1991) que, por sua vez, levaram a reelaborações culturais que determina(ra)m concepções sobre o que seria natureza nos diferentes tempos históricos. Isto posto, a interação entre ambos traz à tona movimentos dialéticos de modo que a cidade constantemente recria funções, concepções, ideias e formas de se produzir de acordo com seu tempo e suas especificidades.

Historicamente, portanto, o espaço urbano congrega as condições para a maximização do trabalho social e para a divisão social desse trabalho, permitindo o encontro e a inter-relação dos elementos naturais com os interesses e as necessidades humanas, os quais, sob o modo de produção capitalista adquiriram conotações diversas dos momentos históricos que o precederam.

Na convergência de fatores e interesses, característico dessa forma de produção, a realidade tem demonstrado formas de ocupação, utilização, incorporação de elementos naturais como premissas para a organização e a manutenção dos indivíduos de forma peculiar. A apreensão dessa relação entre indivíduos, interesses econômicos e o espaço urbano revelam como questões, problemas e conflitos ambientais tomaram (e tomam) formas especificas, as quais têm sido abordadas sob diferentes perspectivas e áreas de conhecimento. Assim, tanto no ambiente construído da cidade quanto nas entrelinhas das relações que compõem esse universo, há elementos a serem captados para o entendimento da problemática, os quais se materializam no espaço que se pode chamar de cidade: alterando-as e impactando-as.

MESA 2 - O MEIO AMBIENTE E A QUESTÃO AGRÁRIA

O processo de constituição da propriedade privada capitalista da terra carrega consigo a estigmatização das regiões não urbanas como vazios sociais e ecológicos. Nesse sentido, a produção desses espaços enquanto regiões economicamente aproveitáveis pelo agronegócio capitalista e sua crescente vinculação à utilização da terra como meio de especulação financeira geram um flagrante desequilíbrio socioespacial. Assim, além das contradições e conflitos oriundos da desigualdade no acesso à terra, o avanço da fronteira agrícola engendra também a desigualdade no uso e no acesso aos recursos naturais, bem como sua exploração predatória. Isso significa dizer que a ausência de limites ambientais foi se tornando a regra principal da aliança entre a concentração fundiária e o progresso técnico aplicado à agricultura. Quebra de ecossistemas, devastação de biomas, expropriação de terras e destruição ou inviabilização de formas tradicionais de cultivo da terra são partes essenciais dessa experiência histórica destrutiva do ponto de vista ambiental.

Tendo em vista que as relações entre meio ambiente e questão agrária são temas de extrema importância no atual contexto político e econômico, esta mesa se dedica à análise dessas relações. O intuito é reunir trabalhos de diferentes áreas e temas com fins de construir um debate que aborde a relação entre questão agrária e meio ambiente sob diversas formas e segundo diferentes aspectos da realidade: através da concentração da propriedade da terra em um determinado setor social, por meio das relações sociais na organização da produção agrícola, a partir da forma de se apropriar e utilizar a natureza para a produção e ocupação humana no território, ou ainda por meio da evolução da luta política e da luta de classes para o domínio e o controle dos territórios e da posse da terra.

MESA 3 - ECONOMIA E MEIO AMBIENTE

No debate atual sobre a sustentabilidade, as previsões científicas que dão conta de uma piora gradual dos fundamentos ambientais do planeta são francamente subestimados em razão de uma lógica econômica mais imediata, que busca crescimento produtivo a qualquer custo. Por conta de tal raciocínio, as negociações em torno de um acordo global para o clima têm mostrado seguidos fracassos, denotando a indisposição dos agentes em negociar, o que leva o jogo a não apresentar um resultado definido. Protelação, procrastinação do problema é uma estratégia deliberada para não encarar devidamente a situação e adiá-la até o limite do insustentável.

Nenhuma atividade que se pretenda ser lucrativa pode subsistir sem a preocupação com a sua racionalidade econômica, sua possibilidade de sobrevivência em um ambiente hostil e extremamente competitivo. A ciência econômica precisamente busca analisar essa dinâmica e suas implicações no modo de vida das pessoas. No entanto, sua compreensão padece de um mal de início; dado que analisa somente os processos produtivos e suas decorrências, categorizando de forma extremamente simplificada todo o processo social no qual está incluso e suas relações com o entorno natural.

A resolução de problemas reais complexos, como o da busca da sustentabilidade não pode privilegiar somente a análise econômica, ou no seu outro extremo, apenas uma abordagem ecológica. Existe uma realidade construída e estruturada em torno das relações econômicas e sociais moldadas pelo capitalismo. Na medida em que tal estrutura dá sinais cada vez mais claros de uma tendência à insustentabilidade - que configura o Antropoceno -, é interessante que visões unidirecionais deem espaço para alternativas que busquem estimular uma compreensão mais totalizadora dos problemas.

Uma perspectiva interdisciplinar que aborde de maneira abrangente os impactos da atividade econômica sobre o meio ambiente, demanda perspectivas que superem a visão meramente economicista, envolvendo também questões técnicas, políticas e jurídicas. A partir dessa abordagem interdisciplinar, nesta tema serão debatidos os desafios para a construção de um meio ambiente sustentável no intercruzamento com economia solidária, o comércio justo, o financiamento das estratégias de enfrentamento das mudanças climáticas, assim como as tentativas de resolução de conflitos regionais e internacionais em torno de leis ambientais, na luta pela terra e no sufocamento de formas alternativas de produção.

MESA 4 - POLÍTICA AMBIENTAL E RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Desde meados do século passado, as emissões de dióxido de carbono aumentaram de forma extraordinária, já afetando o nível do mar, assim como a extinção em massa de espécies da flora e fauna em nível mundial. Além disso, houve a transformação de vários ambientes do planeta em consequência do desflorestamento e da atividade de extração dos recursos naturais. Tais fatos marcariam o fim do Holoceno, já que as transformações são tão profundas que parecem ter iniciado uma nova era geológica, o Antropoceno. Qual seria a ameaça que realmente convenceria as pessoas sobre os riscos assumidos e socializados para todos?

A solução econômica tradicional para o problema passa pela redefinição da propriedade de cada bem, enfatizando a necessidade de privatização para a melhor gestão dos recursos. A teoria econômica clássica classificou os bens de forma binária em públicos e privados (Paul Samuelson); para superar tal dicotomia entre o público e o privado, Elinor Ostrom desenvolveu um enfoque que dá relevância ao que chama de bens comuns, mediante o exame da natureza e das formas em que se manifestam na realidade. O trabalho de Ostrom se caracteriza assim por analisar de forma sistemática uma ampla gama de mecanismos institucionais orientados para administrar e gerir os recursos de uso comum. A ausência de propriedade individual não implica livre acesso nem falta de regulação, já que os bens comuns podem ser administrados de forma efetiva se conta com um grupo de interessados que atuam juntos para garantir a rentabilidade no longo prazo desses bens.

Mais recentemente, uma variação do conceito de bens comuns vem ganhando notoriedade no espaço público, a ideia de bens públicos globais, que se aplica, por exemplo, aos efeitos poluentes que ultrapassam fronteiras, às epidemias, e principalmente à regulação financeira (sistemas financeiros estáveis seriam um bem público global). Faz-se necessário o reequilíbrio entre "privado" e "público" em nível global.

Apenas um número muito pequeno de recursos globais goza do status legal dos bens comuns, que em sua forma moderna é entendida sob o conceito de patrimônio comum da humanidade (PCH). Estes recursos são: fundo do mar, espaço sideral e corpos celestes e, com reservas, a Antártica. O clima, que também é um comum global, não está sujeito a este regime, embora algumas aproximações sejam encontradas nos conceitos de "preocupação comum da humanidade", "interesse comum" ou "responsabilidade comum e cooperação". Definir e explorar tais conceitos, bem como desenvolver ferramentas e propostas de gestão para tais tipos de bens é o grande desafio.